segunda-feira, março 27, 2006
segunda-feira, março 20, 2006
Saúde
Num planeta com tantas diferenças é natural que haja alguns problemas de saúde. Com a o ADN do modo em que está implantado na população é tido como natural ter-se uma qualquer doença congénita. Qualquer coisa como 100% da população tem alguma maleita deste género.
Como toda a população é doente é preciso que haja um sistema de saúde compatível com as doenças. Arghalhargh tem o melhor sistema de saúde do Universo. Os médicos em Arghalhargh são os mais bem pagos da galáxia, uma vez que têm de ser os mais especializados de todos. Têm um curso de doze anos lectivos, dos quais sete em universidades e cinco em institutos farmacêuticos para conhecerem os efeitos secundários dos medicamentos.
A ciência farmacêutica é a mais desenvolvida de todas. Os farmacêuticos têm um curso de dezasseis anos dos quais seis numa escola superior, quatro numa faculdade de medicina, para conhecerem o método que os médicos usam para receitar, e seis numa escola superior de finanças para poderem gerir os avultados ganhos resultantes do lucro da sua farmácia sem perigo de loucura.
É perfeitamente corriqueiro que sejam assassinados os melhores alunos de farmácia pelos próprios colegas de turma. Já nem sequer é considerado crime, apenas selecção natural.
Os actos médicos não são pagos. Cada ser que entra num hospital doente é considerado um caso clínico, como tal é subsidiado o seu tratamento. Assim ninguém deixa de ser tratado. Como esse subsídio vem da indústria farmacêutica o doente está sujeito a tratamentos infindos e com os mais diversos tipos de medicamentos. Nem interessam quais pois são gratuitos. A prescrição médica tem tudo a ver com a última visita dos representantes dos laboratórios, com as ofertas que são feitas ao médico e com as necessidades de venda de medicamentos por parte das farmácias. Pode-se assim dizer, sem perigo de exagero, que quem receita são as farmácias, mesmo sem conhecerem os doentes.
O preço dos medicamentos aviados na farmácia era, no entanto, proibitivo pelo que ninguém aí os comprava. Então como se financiavam estes serviços? Exportando! Exportando pequenas quantidades de medicamentos inúteis para alguns planetas incautos. Inventando doenças nesses planetas com campanhas na TV e nos jornais ( manchetes como “O consumo de antidepressivos é o maior da Europa”). Assim a populaça começa a pensar que também quer aquela doença com um nome tão giro! Incentivando a paranóia e investigando vírus novos (uns que ataquem aves e que se transmitem a humanos e outras que tais!)
Houve tentativas várias por parte do poder político para moralizar este sistema, mas a resposta da indústria aos ministros era invariavelmente: “Hás de cá vir! Também vais adoecer!”. O que tirava toda e qualquer força aos políticos. Aguarda-se, no planeta, que haja um ministro da saúde saudável.
Os pacientes tinham horas intermináveis de espera nos hospitais. Já ninguém achava muito estranho, pois todos consideravam normal tal preceito. Ou os médicos estavam num congresso numa praia paradisíaca do outro lado do planeta, patrocinado por uma das farmacêuticas; ou estariam a atender um dos seus representantes (muitas vezes estes banquetes demoravam dias, ou mais vulgarmente semanas); no gozo de merecidas férias; a preencher a declaração de IRS (considerada muitas vezes para a atribuição de prémios literários de ficção); a almoçar ; beber um café; pentear o cabelo (aqueles que o tinham); ou mesmo, em último caso, a atender outro doente.
A Utilização dos livros de reclamações sempre foi encorajada pelos serviços de saúde planetários uma vez que todos precisavam de umas boas gargalhadas no meio de tanta doença.
domingo, março 12, 2006
Reprodução
Em Arghalhargh, em tempos imemoriais havia duas espécies inteligentes dominantes, ambas tinham nível de desenvolvimento semelhante. Mas como viviam, preferencialmente, em partes diferentes do planeta, davam-se bem, cordialmente, até havia relações de tipo comercial ou diplomático. Em suma davam-se bem.
Certa altura decidiram colonizar outro continente do planeta e assim foi. Sentaram-se à mesa e decidiram que colonizar tudo bem, mas apenas se o ‘status quo’(1) não fosse alterado. Assim se iniciou o processo de instalação de colónias no novo continente. Umas destes, outras daqueles, e tudo corria bem.
Mas, as notícias corriam, e a abundância de conhecimentos dava resultados inesperados. Havia tantos que faziam a Enciclopédia Galáctica parecer uma redacção escolar de um aluno da Escola do Primeiro Ciclo do Ensino Básico de Alcogulhe, Maceira.
Um dia aconteceu... Um coleccionador de conhecimentos leu um dos documentos da sua colecção... erro crasso! Descobriu que , há já alguns anos o status quo estava em mutação. Entradas, saídas diferenças de opinião, mudanças de continente... e por fim, com a saída e processo em tribunal de Alan Lancaster aos restantes membros do grupo, a coisa “deu para o torto” e assim uma das espécies considerou que o Status Quo estava definitivamente alterado. A partir deste momento chave na história do planeta Arghalhargh houve cisões nos próprios elementos de cada espécie. Discussões públicas insanáveis e tumultos em muitas cidades. Como no novo continente todos viviam juntos, as duas espécies coabitavam, as molhadas de porrada eram também entre os vizinhos de espécies diferentes.
Acirram-se os racismos e as diferenças... Tornou-se tudo numa guerra em larga escala sem quartel porque todos estavam envolvidos. As crianças na escola atiravam pedras umas às outras, as mulheres no mercado ofendiam-se e agrediam-se com hortaliças. Os homens, no estádio, não ligavam ao futebol e as claques atiravam-se umas às outras sem ligarem ao jogo, em vez de arranjarem uma desculpa qualquer para fazerem asneira.
Apareceram as primeiras milícias populares, os primeiros combates e, em pouco tempo já havia armas estratégicas a voar de um lado para o outro. Para além disso era como nas guerras étnicas, havia violações em massa, muitas vezes nem combates havia, só estupros.
Com o correr dos anos ninguém mais sabia quem era por que lado, nem porque se continuava a guerra, nem mesmo porque se tinha começado aquele rebuliço todo... nem interessava!
Décadas de violações tornaram o ADN dos descendentes na coisa mais degenerada que por ali havia, já ninguém sabia se era filho dele ou fruto das “guerras baixas”. Criou-se assim o hábito de abandonar os filhos à sua sorte, assim como assim eles eram tão disformes que nem valia a pena tê-los em casa. Até porque as fêmeas da nova espécie miscigenada tinham os maiores ataques de Síndroma Pré-Menstrual conhecidos.
Esses ataques tinham tal dimensão que se considerou aproveitar a carga energética para a produção de energia aproveitável para a produção na indústria pesada. Este projecto não conseguiu ser implementado porque do laboratório de investigação houve uma fuga de informação e quando as fêmeas souberam do propósito dos cientistas e, só para contrariar deixaram-se de raivas o que levou à falência do projecto. Como seria de se esperar depois deste processo toda a carga emocional e hormonal voltou com intensidade redobrada no ciclo menstrual seguinte, causando nova vaga de tumultos e tempestades erráticas e inexplicáveis pela ciência.
Do abandono e da falta de famílias até à vulgarização da violação como meio de reprodução foi um passo simples. Já ninguém constituía família, passavam por alguém na rua, seguiam essa pessoa e com um processo simples e ritualizado, violavam-na. E por incrível que pareça não eram os homens que o faziam mais, eram as fêmeas que assaltavam os machos e os forçavam a violá-las, uma vez que ninguém no seu bom senso se chegava a outro com intenções lúbricas.
Status quo is a Latin term meaning the present, current, existing state of affairs. To maintain the status quo is to keep things the way they presently are. Compare it with status quo ante, meaning "the state of things as it was before."
Status Quo is a
Wikipedia
quarta-feira, março 08, 2006
terça-feira, março 07, 2006
Passatempos
Um dos mais divulgados hobis dos habitantes de Arghalhargh é a reprodução dos conhecimentos existentes, sejam eles quais forem. Fazem-se fotocópias, cópias detalhadas de livros, pinturas, registos sonoros, fotografias, discos, fitas e tudo o mais.
Este facto deve-se, basicamente, à profusão de diferenças entre as pessoas. De que outro modo se podem identificar os conhecidos e os amigos? Só fazendo registos. Registo puxa registo, e daí a pouco temos um passatempo... e como quem não tem mais nada em que pensar... inventa. Como os ingleses que passam dias a fazer ‘Train Spotting[1]’ - um caso típico da inutilidade de algumas ideias e que prova a falência da inteligência face à emergência da insanidade demente. (assunto a tratar noutro capítulo juntamente com o tema educação em Arghalhargh ou no âmbito da transferência de ideias por processos subliminares para gabinetes ministeriais)
Em Arghalhargh tornou-se evidente que para além de terem muitos conhecimentos acumulados não saberiam o que lhes fazer, que o propósito é coleccionar e não criar. Assim criou-se um serviço público próprio para o armazenamento de dados: cada coleccionador entregava os dados ao serviço juntamente com as notas de catalogação. Recebia em troca um documento que provava a adição desse conhecimento à sua colecção.
Dentro de pouco tempo começou a competição por recibos de conhecimentos novos (quem tivesse mais ganhava), só que esses tornavam-se cada vez mais raros o que causava alguns problemas, nomeadamente alguma animosidade entre coleccionadores.
A acumulação de tantos e universais conhecimentos ameaçava fazer colapsar o planeta sobre si próprio criando um buraco negro devido à supergravidade. O Ministério da Física criou várias equipas de trabalho para resolver o problema e salvar o planeta.
É por este facto que o povo Arghalharguiano se tornou na primeira cultura do universo a inventar a ‘pen drive’ antes da invenção da o fogo e da roda.
[1] Train spotting
Rail fans who call themselves "train spotters" make an effort to spot every piece of rolling stock known to exist for a particular railroad company. To this end, they collect and exchange detailed information about the movements of locomotives and other equipment on the railway network, and become very knowledgeable about its operations. Wikipedia
É um facto conhecido que o planeta Arghalhargh é um dos locais mais feios do universo. Não só porque é um planeta feio, mas principalmente porque também tem os habitantes mais feios que se conhecem.
As pessoas são tão malfeitas que a noção de deficiência não existe. O seu ADN é tão variável que não há gémeos nem seres parecidos uns com os outros, mesmo que sejam da mesma espécie.
Os bebés nesse planeta são, à nascença abandonados pelos pais de tão feios que são. São desde cedo entregues à guarda de instituições estatais onde são criados por robots cegos para que nem esses os abandonem.
Por vezes a roleta genética cria um bebé bonito, mas pela diferença esse ser é estudado, radiografado submetido a testes até à exaustão. Assim é para que se saiba a causa de tanta beleza.
Acontece que a fartura de pesquisas e de testes ou torna os seres estéreis ou lhes provoca um total desinteresse pela reprodução.
segunda-feira, março 06, 2006
Arghalhargh
... é o nome que dei a um planeta num jogo online (ogame).
Começou por um nome e tomou forma na minha cabeça demente... deve ser de ter visto muitos desenhos animados (perda de tempo segundo muitos professores de português, por não ser literatura), banda desenhada (uma forma menor de literatura segundo muitos professores de português), filmes (espaço 1999, galáctica e outras formas de desperdiçar o tempo em que devia ter lido os lusíadas) e de ter lido bastantes livros de ficção científica (outra forma menor de literatura segundo muitos professores de português)[1]... degenerou e tornou-se vivo (“Oh my God it is alive!” , como no filme).
Acho que cresceu e fez massa crítica.
Só espero que rebente devagarinho!
Não, algumas coisas não existem em Portugal, nem nunca existiram... mas podem degenerar!! Cuidado![1] Todos os inquiridos irão dizer prontamente “Eu!? Não!” mas com cuidado na observação vai-se notar a presença malévola e destruidora da sua formação universitária: “Vamos transformar o camões, pessoa, o gedeão e o saramago num monte de tijolos, cimento e recursos estilísticos, que é o que aquilo é!”